sábado, 9 de fevereiro de 2008

ESTRATÉGIAS DE LEITURA 3

INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS EM LINGUA INGLESA

Língua é fundamentalmente um fenômeno oral. É portanto indispensável desenvolver uma certa familiaridade com o idioma falado, e mais especificamente, com a sua pronúncia, antes de se procurar dominar o idioma escrito.
“The principle [speech before writing] applies even when the goal is only to read” (Lado, 1964, p. 50).
A inversão desta seqüência pode causar vícios de pronúncia resultantes da interpretação incorreta das letras. Principalmente no caso do aprendizado de inglês, onde a correlação entre pronúncia e ortografia é muito irregular e a interpretação oral da ortografia muito diferente do português (veja contrastes de pronúncia), e cuja ortografia se caracteriza também pela ausência total de indicadores de sílaba tônica, torna-se necessário priorizar e antecipar o aprendizado oral.
Satisfeita esta condição ou não, o exercício de leitura em inglês deve iniciar a partir de textos com vocabulário reduzido, de preferência com uso moderado de expressões idiomáticas, regionalismos, e palavras "difíceis" (de rara ocorrência). Proximidade ao nível de conhecimento do aluno é pois uma condição importante. Outro aspecto, também importante, é o grau de atratividade do texto. O assunto, se possível, deve ser de alto interesse para o leitor. Não é recomendável o uso constante do dicionário, e este, quando usado, deve de preferência ser inglês - inglês. A atenção deve concentrar-se na idéia central, mesmo que detalhes se percam, e o aluno deve evitar a prática da tradução. O leitor deve habituar-se a buscar identificar sempre em primeiro lugar os elementos essenciais da oração, ou seja, sujeito, verbo e complemento. A maior dificuldade nem sempre é entender o significado das palavras, mas sua função gramatical e conseqüentemente a estrutura da frase.
O grau de dificuldade dos textos deve avançar gradativamente, e o aluno deve procurar fazer da leitura um hábito freqüente e permanente.

1. Identifique os termos essenciais da frase:

O português se caracteriza por uma certa flexibilidade com relação ao sujeito. Existem as figuras gramaticais do sujeito oculto, indeterminado e inexistente, para justificar a ausência do sujeito. Mesmo quando não ausente, o sujeito freqüentemente aparece depois do verbo, e às vezes até no fim da frase (ex: Ontem apareceu um vendedor lá no escritório).
O inglês é mais rígido: praticamente não existem frases sem sujeito e ele aparece sempre antes do verbo em frases afirmativas e negativas. O sujeito é sempre um nome próprio (ex: Paul is my friend), um pronome (ex: He's my friend) ou um substantivo (ex: The house is big).
Pode-se dizer que o pensamento em inglês se estrutura a partir do sujeito; em seguida vêm o verbo, o complemento, e os adjuntos adverbiais. Para uma boa interpretação de textos em inglês, não adianta saber o vocabulário apenas; é preciso compreender a estrutura, e para isso é de fundamental importância a identificação do verbo e do sujeito.

2. Observe o contexto que as palavras estão inseridas

A ordem normal em português é substantivo – adjetivo (ex: casa grande), enquanto que em inglês é o inverso (ex: big house). Além disto, qualquer substantivo em inglês é potencialmente também um adjetivo, podendo ser usado como tal. (ex: brick house = casa de tijolos ; vocabulary comprehension test = teste de compreensão de vocabulário). Sempre que o aluno se defrontar com um aparente conjunto de substantivos enfileirados, deve lê-los de trás para diante intercalando a preposição "de" no meio.

3. Cuidado com o sufixo ...ing.

O aluno principiante tende a interpretar o sufixo ...ing unicamente como gerúndio, quando na maioria das vezes ele aparece como forma substantivada de verbo ou ainda como adjetivo. Se a palavra terminada em ...ing for um substantivo, poderá figurar na frase como sujeito, enquanto que se for um verbo no gerúndio, jamais poderá ser interpretado como sujeito nem como complemento. Este é um detalhe que muito freqüentemente compromete seriamente o entendimento.

5. Certifique-se que compreenda as palavras de transição

Words of connection ou words of transition são conjunções, preposições, advérbios, etc, que servem para estabelecer uma relação lógica entre frases e idéias. Familiaridade com estas palavras é chave para o entendimento e a correta interpretação de textos.

6. Atenção com falsos cognatos

Falsos conhecidos, também chamados de falsos amigos, são palavras normalmente derivadas do latim, que têm portanto a mesma origem e que aparecem em diferentes idiomas com ortografia semelhante, mas que ao longo dos tempos acabaram adquirindo significados diferentes.

7. Use sua intuição, evite recorrer ao dicionário em um primeiro momento

Para nós, brasileiros, a interpretação de textos é facilitada pela semelhança a nível de vocabulário, uma vez que o português é uma língua latina e o inglês possui cerca de 50% de seu vocabulário proveniente do latim. É principalmente no vocabulário técnico e científico que aparecem as maiores semelhanças entre as duas línguas, mas também no vocabulário cotidiano encontramos palavras que nos são familiares. Excetuando-se os falsos cognatos (veja item anterior), podemos confiar na semelhança. Por exemplo: important, interesting, necessary, modern, dictionary, computer, manual, student, pronunciation, vocabulary, exam, supermarket, etc., são palavras que brasileiros entendem sem saber nada de inglês. Portanto o aluno deve procurar por essa semelhança. Se lembrar algo que conhecemos, provavelmente tem o mesmo significado.

Leitura de textos mais extensos como jornais, revistas e principalmente livros é altamente recomendável para alunos de nível intermediário e avançado, pois desenvolve vocabulário e familiaridade com as características estruturais da gramática do idioma. A leitura, entretanto, torna-se inviável se o leitor prender-se ao hábito de consultar o dicionário para todas palavras cujo entendimento não é totalmente claro. O hábito salutar a ser desenvolvido é exatamente o oposto. Ou seja, concentrar-se na idéia central, ser imaginativo e perseverante, e adivinhar se necessário. Não deve o leitor desistir na primeira página por achar que nada entendeu. Deve, isto sim, prosseguir com insistência e curiosidade. A probabilidade é de que o entendimento aumente de forma surpreendente, à medida em que o leitor mergulha no conteúdo do texto.
REFERÊNCIAS

Lado, Robert. Language teaching: A scientific approach. New York: McGraw Hill, 1964.

3 comentários:

Lázaro Castro disse...

Nossa, parabéns pelo blog e pelo texto! Muito bem lembrado isso de que o dicionário não deve ser consultado a todo instante, mas que scanear o texto é mais importante. Estava (e ainda estou..) um tanto nervoso porque em alguns dias irei prestar vestibular para Letras em Português e Inglês, porém o teu blog ajudou bastante! Muitíssimo obrigadoooo :D

Suzane disse...

Achei muito interessante as coisas que li no teu blog, pois vou começar a dar aulas, espécie de monitoria, pra alunos que irão prestar vestibular e estava meio perdida...mas, me ajududaste bastante! ;D

Anônimo disse...

Good brief and this enter helped me alot in my college assignement. Say thank you you seeking your information.